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ARTE E CULTURA
Segunda-feira, 07 de Setembro de 2009

História do bairro do Alto da Cruz começa com aparições que assustavam a comunidade

Taynar Barreto/Camaçari Notícias

Taynar Barreto/cn1

Comunidade se formou em torno do pico do morro e ficou conhecida como bairro do Alto da Cruz

A história é a melhor maneira que um povo tem para saber dos acontecimentos do passado. Para saber o porquê foi colocada a cruz no alto do morro e o por que o Alto da Cruz tem esse nome, nossa reportagem foi até a comunidade para saber outros detalhes daquele importante bairro de Camaçari.

Com a instalação do Pólo Industrial de Camaçari, veio o progresso trazendo muita coisa boa, mas o preço que é pago para ter esse desenvolvimento é a perda de parte da história da cidade e dos bairros.

Alguns anos atrás as ruas eram estreitas e só davam pra passar carros de boi, todos se conheciam e tinham liberdade para ficar conversando na porta de casa.

Para dar informações sobre o bairro Alto da Cruz conversamos com dona Marinalva Lima Santos, de 65 anos, coordenadora da comunidade católica e que sempre morou na localidade.

Relatando as histórias contadas pelos pais dona Marinalva narra como surgiu à cruz, símbolo que deu nome ao bairro. “Na época surgiram fumaças no alto do morro, daí as pessoas ficaram com medo e chamaram o padre para benzer o local, que colocou uma cruz de madeira no dia 3 de Maio, depois disto as fumaças pararam de aparecer”, diz emocionada.

A partir desta data, passou- se a comemorar anualmente a festa da padroeira da Santa Cruz, que tinha como principal organizador e já falecido João da Mata de Souza, conhecido como Joãozinho, homenageado até hoje.

Do centro da cidade saía uma procissão com destino ao alto do morro que tinha um largo com um pouco de cimento batido ao pé da cruz, enfeitado com bandeirolas e palhas de coqueiros. Durante o trajeto moradores estendiam toalhas brancas nas janelas das casas.

(Hoje é quase impossível subir no topo do morro, pois ele foi praticamente todo degradado por pessoas que retiravam do local arenoso para construção e em seu lugar foram erguidas residências. Só sobrou o pico do morro onde está a cruz porque a comunidade se organizou para evitar, na época um empresáro tentou retirar o ultimo pedaço do morro para ficar com o terreno, mas foi impedido pela comunidade.)

No fim de tudo era servida uma feijoada com festa dançante. Todas as pessoas se conheciam e só tinha um policial que na época era ajudado pelos inspetores. (Gente da comunidade)

Com a chegada do padre Jorge Bonfim na Paróquia de São Tomaz de Cantuária, a data comemorativa da padroeira da Santa Cruz mudou-se para 14 de Setembro.

A época deixou saudades para muita gente. Do alto do morro, as pessoas ficavam olhando os bois sendo abatidos no matadouro. “ As fateiras, mulheres que vendiam as vísceras dos animais, lavavam as carnes na beira do Rio Camaçari, e as crianças aproveitavam para pescar os peixes que vinham até a beira”, conta Marinalva emocionada ao relembrar.

O Rio, hoje poluído, servia como meio de sobrevivência para as pessoas que não tinham dinheiro de comprar carne, e quando chegava a época da Semana Santa tinha extrema utilidade para todos.

Por causa do desgaste do tempo a cruz de madeira foi substituída por uma de cimento, “se a cruz sumir não teremos mais uma referência, deveria ser conservada como marco histórico da cidade”, diz esperançosa.





  


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