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CAMAÇARI
Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Animais são vítimas de maus-tratos em Camaçari

Carolina Motta / Camaçari Notícias

Foto: Carolina Motta

Bom exemplo: “Meu bichinho está com toda a vacinação em dia”, se orgulha Sr. Antônio, mostrando o atestado de vacinação.

Apesar do avanço e da modernidade presentes em vários âmbitos da cidade, hábitos seculares e considerados ultrapassados ainda persistem serem seguidos. Um exemplo é a utilização de animais de tração para transporte de cargas. Segundo a Associação de Carroceiros da Bahia (ACB), Camaçari possui uma média 1.200 carroceiros.



É comum no Município, cavalos, jegues ou jumentos de tração em péssimo estado de saúde, sem assistência qualquer, ou até mesmo apanhando para carregar pesos geralmente maiores do que a capacidade do animal.



Os eqüinos são expostos a uma jornada cansativa de trabalho, que é iniciada nas primeiras horas da manhã, se estendendo até o final da tarde. Os animais muitas vezes estão em aparente estado de magreza, apresentam ferimentos, além de não terem um intervalo para descanso entre as viagens, sendo chicoteados com o intuito de forçar o ritmo de trabalho para cumprir as necessidades do dono.



“Acho que os métodos de disciplina como as chicotadas seriam recompensados com os devidos cuidados aos animais”. “Os donos deveriam se preocupar em ao menos dar assistência veterinária aos bichos”, afirma Danielle Cerqueira, 23, estudante.



Para a médica veterinária, Cássia Ribeiro, as condições de trabalho dos animais poderia ser amenizada com o transporte máximo de carga suportada, que é de 350 kg. “Geralmente os animais de tração carregam um peso superior ao tolerado pela própria estrutura física dos eqüinos. Isso acarreta em vários problemas, sobretudo ósseos”, explica.



De acordo com o Artigo 32, da Lei Federal nº. 9.605/98, contra Crimes Ambientais, “é considerado crime praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”, esclarece a Lei. Para tais atos, o praticante está sujeito a uma pena de três meses de detenção há um ano, mais pagamento de multa.



Organizações de proteção animais, orientam que sejam denunciadas práticas de maus-tratos. Para isso, deve ser registrado um boletim de ocorrência na Delegacia da cidade, munido de uma cópia com o número da Lei. Caso as autoridades da unidade se neguem a realizar a notificação, deve ser apresentado como argumento o Artigo 319 do Código Penal, que penaliza funcionários públicos sob prática de omissão.



Prova de amor e respeito



Antônio Ferreira dos Santos, 63 anos, trabalha como carroceiro desde criança. O ancião é dono de um rancho na Vila Remanescente, Jardim Limoeiro, onde mantém oito vacas, dois bois, além de porcos, uma égua prenhe e um jumento de dois anos chamado de Brinquedo.



O carroceiro começa a trabalhar a partir das 10h, sob a companhia de Brinquedo que o acompanha diariamente até a feira livre de Camaçari, onde recolhe sobras de frutas, raízes e verduras, que são levados de carroça para os outros animais do rancho.



O animal é aparentemente bem tratado, e aos que passam pelo estacionamento da feira, onde Brinquedo aguarda pacientemente pelo dono, é evidente o carinho e cuidado de Sr. Antônio com o bicho, sendo alimentado com frutas, raízes, e dois kg de ração diárias. O jumento também é hidratado com água durante a jornada de trabalho que dura até às 17h. Além disso, o dono alega que sempre que pode dá assistência veterinária. “Meu bichinho está com toda a vacinação em dia”, se orgulha Sr. Antônio, mostrando o atestado de vacinação.



Para Santos, o tratamento respeitoso e carinho com o animal é a fórmula para uma relação harmoniosa. “Eu dependo dele e por isso tenho o dever de tratá-lo bem”, declara. “Aprendi com os meus que se queremos o melhor para nós, devemos oferecer o melhor para os outros, mesmo sendo animais”, justifica.


Os atos de maus-tratos e crueldades mais comuns são:

- abandono;
- manter animal preso por muito tempo sem comida e contato com seus donos/responsáveis;
- deixar animal em lugar impróprio e anti-higiênico;
- envenenamento;
- agressão física, covarde e exagerada;
- mutilação;
- utilizar animal em shows, apresentações ou trabalho que possa lhe causar pânico e sofrimento;
- não procurar um veterinário se o animal estiver doente.



  


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