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RAYMUNDO MÔNACO
Sexta-feira, 31 de Agosto de 2012

Raymundo Mônaco escreve: "Sociedade em declínio: a falência do Clube Social de Camaçari"


CRÔNICASDA CIDADE
2012.42- ANO III

J.R. MÔNACO
Bacharel em Direito. Consultor políitico. Testemunha ocular da historia.


SOCIEDADE EM DECLÍNIO.
A FALÊNCIA DO CLUBE SOCIAL DE CAMAÇARI


Em épocas passadas, o grande sonho de qualquer cidade em desenvolvimento era ter um clube de lazer, caracterizava-se como status, contemplaria sem dúvidas aos que desejavam dele desfrutar. Reunir amigos, promover atividades esportivas, desenvolver a cultura, alternar a integração da sociedade era o objetivo maior. Lembramos que por volta dos anos sessenta, o entretenimento em Camaçari era difícil, chegar às praias do nosso litoral só em lombo de animais e olhe lá; tomar um banho de mar “Quem me dera” a opção era Salvador.

Com novos acessos construídos, surgiram estradas asfaltadas, facilidades na compra do carro próprio, linhas de ônibus, a população mudou de hábitos, logo, ninguém mais quis saber de clubes sociais. Lazer em clubes fechados quase não mais existe, a falta de frequência de associados, a imcompetência de alguns dirigentes, contribuiram paraa decadência destas instituições que de um modo geral, foram relevadas a segundo plano; vindo consequentemente o desinteresse total.

A falência dos clubes sociais é pública e notória em varias cidades do país. Como exemplo, comecemos a análise por nosso próprio município, iniciando pela extinção do famoso Bahia Country Clube (anos 70), clube de campo, centro de recreação das elites de Salvador, seguido por outros como o Angra Rio Mar em Barra do Jacuipe, o Arsenal que sobrevive às duras penas, o Clube DERBA desativado, o tradicional Clube Cruzeiro do Alto da Cruz, hoje mantido por abnegados. O prédio do antigo cinema onde também funcionou o primeiro Clube Social, encontra-se em ruinas.

Infelizmente, prenuncia-se como a próxima vítima o Clube Social e Desportivo Camaçari, nosso conhecido “Clube Social”, motivado pela falta de recursos financeiros e pelo desinteresse do poder público, à beira da falência, inevitavelmente fechará as portas encerrando em breve as suas atividades.

Fundado em 17 de janeiro de1989, o “Clube Social” começou a ser implantado na primeira gestão do então Prefeito José Tude. A Lei nº 494 de 29.12.2000, oficializou a desafetação de área de quarenta mil metros quadrados (escritura registrada no Cartório de Títulos e Documentos de Camaçari) e com a contribuição e mão de obra de empreiteiros da Prefeitura, venda de títulos patrimoniais, construíram a sua séde social.

Durante a existência, passaram pelo seu quadro quase dois mil associados, hoje, pouco menos de duzentos pagam com regularidade a irrisória taxa de trinta reais de manutenção. Uns desitiram de pagar, outros de frequentar. O “Clube Social” mantem a hegemonia de patrimônio do povo de Camaçari, mesmo os não associados, o reconhecem como equipamento de relevantes serviços prestados à nossa comunidade.

Em seus 23 anos de vida, o “Clube Social” teve boas fases. O poder público ajudava, o associado se interessava, fazer parte da Diretoria era motivo de orgulho, eleições concorridas. Hoje , falido, concentra uma dívida de mais de duzentos mil reais com salários de funcionários em atraso, encargos sociais, dependências degradadas, instalações precárias e até o contrato de aluguel para uso das dependências que mantém com a prefeitura de Camaçari, encontra-se bloqueado por não poder tirar certidões negativas junto à Previdencia Social, a quem deve valor considerável.

O “Clube Social” sempre se identificou como palco de grandes eventos, alguns considerados relevantes; formaturas, casamentos, encontros religiosos, congressos, convenções, Concurso Miss Bahia, festas populares diversas, apuração de eleições, enfim, faz ele parte da vida de nossa comunidade.

Embora reconhecido como de utilidade pública, sofre a instituição várias consequências, inclusive de esbulho possessório praticado pela Prefeitura de Camaçari, invasora de uma área na parte dos fundos em torno de seis mil e duzentos metros quadrados de propriedade do Clube. Ali construiram o Posto de Saúde da Familia e a Escola do Bairro Nova Vitória, inviabilizando o aproveitamento do restante do terreno remanescente, isto sem qualquer comunicado, indenização, aviso e/ou autorização da Diretoria do Clube.

A Diretoria, por diversos ângulos buscou soluções para evitar a falência do Clube. Realizadas várias reuniões com o prefeito, prepostos e secretários (café da manhã, almoço, coffee break), bajulação equivocada; promessas infundadas, protelações, nada resultou, soluções até o momento nenhuma.O Clube vai assim, afundando cada vez mais!

Proposta permutando o terreno remanescente por obras de recuperação do Clube pela prefeitura não foi aceita pela Procuradoria; desapropriação, feria aos princípios da legalidade, uma vez que, a área fora doada pela PMC; murar o terreno seria uma alternativa de ressarcimento, tambem não vingou, implicaria no caso em desmembramento de área; autorização da PMC para vender o terreno á iniciativa privada, depende de parecer da Procuradoria Jurídica, responsável em parte pelo emperramento do processo, demonstrada inequívoca má vontade.

Houve inclusive, proposta de um grupo francês para aquisição do total da área por quinze milhões de reais, construção de um Shoping. Com a venda poderia se erguer um novo clube, moderno, em outro local, proposta não concretizada, em face à lei municipal que doou a área condicionar em seu texto que em caso de falência ou extinção, o terrreno com as benfeitorias se reverteria ao patrimônio do município sem ônus para os cofres públicos. Proibida a venda ou alienação ou qualquer modificação na estrutura, sem alteração da lei pela Câmara, audiência pública e autorização de 2/3 da Assembléia do Clube.

Desta forma, verifica-se que quanto mais Camaçari cresce, aumentam os espaços, mais triunfa a decadência de valores, tudo isso por conta de não se ter uma sociedade formada capaz de combater e lutar contra esses descasos. Existem varias propostas capazes de resolver a situação do Clube, depende da vontade política. A Prefeitura indenizar o terreno esbulhado é uma delas. As demais opções é sentar na mesa e discutir, até chegar-se ao denominador.

Como resolver o problema ainda não se encontrou a solução. Provávelmente, o destino do Clube será decidido em reunião de Assembleia Geral que optará pela dissolução, extinção ou entrega do patrimônio físico ao Prefeito que dará o destino que melhor convier. Ao final das contas o Clube não tem alçada para definir a sua sorte, pois, depende do “ad referendum” da Câmara e Prefeitura.

Concluindo, temos a observar: as pessoas se interessam por um sem número de coisas banais, muitas delas sem valor estimativo, desprezam outras importantes. Enquanto se enfeita a cidade com obras eleitoreiras, agente espera que salvem o Clube Social e outros empreendimentos merecedores de nossa proteção e que começam a se degradar.

Um grande abraço e até o próximo encontro!

J. R. Mônaco

jrsmonaco@hotmail.com




  


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