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ENTREVISTA
Quinta-feira, 12 de Julho de 2012

Carlos Ruiz fala sobre as transformações do rock ao longo dos anos

Larissa Souza/Cn1

O rock é um estilo musical que surgiu nos anos 50, nos Estados Unidos. Inovador e diferente o ritmo unia ‘rhythm and blues’, country, blues, dentre outras influências musicais como o jazz, folk e música clássica. Em entrevista ao Camaçari Notícias, o músico Carlos Ruiz fala sobre o ritmo, as transformações que ocorreram ao longo dos anos, o atual estágio do rock no Brasil e no município, além do show realizado pela banda Urublues em homenagem aos 50 anos dos Beatles.

O Rock

Camaçari Notícias: Por que o 13 de julho foi escolhido como dia mundial do Rock?

 
Carlos Ruiz: Foi devido ao evento ocorrido no dia 13 de julho de 1985, organizado por Bob Geldof, vocalista da banda Boomtown Rats, que foi, até então, o maior show de rock da Terra, o Live Aid, onde reuniu artistas lendários da história da pop music e do rock mundial.


Além de contar com nomes de peso da música internacional, o Live Aid tinha a tentativa nobre de conseguir fundos para a miséria e a fome na África. Dois shows foram realizados, sendo um no lendário Wembley Stadium de Londres (Inglaterra) e outro no não menos lendário JFK Stadium na Filadélfia (EUA).


Os shows traziam um elenco de megastars, como Paul McCartney, The Who, Elton John, Elvis Costello, Black Sabbath, Sting, Brian Adams, U2, Dire Straits, David Bowie, The Pretenders, The Who, Santana, Madona, Eric Clapton, Led Zeppelin, Bob Dylan, Rolling Stones, Queen, Beach Boys, entre outros, alcançando uma audiência pela TV de cerca de 2 bilhões de telespectadores em todo o planeta, em cerca de 140 países.


O rock sofreu muitas alterações desde o desenvolvimento na década de 50. Quais as alterações positivas e negativas?


O rock, nos primórdios dos anos 50 foi acima de tudo um movimento social e libertário que começou nos EUA, com a geração pós-guerra, ou seja, foi um grito de liberdade contra toda aquela caretice americana do “american way of life”. O rock inicial tinha muito do blues, e ao longo do tempo foram adicionados outros elementos, uns bastante interessantes, outros nem tanto. O rock, como todo estilo musical, tem elementos, tem fases, tem movimentos que são positivos como negativos, hoje, por exemplo, tem muita banda, como diria Raul Seixas, pousando de artistas, sem o menor conteúdo, sem pegada, sem inspiração e principalmente sem talento, fruto de produtores atrás somente de grana. O rock hoje está muito comportadinho, chato e “non sense”, claro, com poucas exceções. Por isso é que não deixamos nunca de ouvir os clássicos, entenda-se, anos 60 e 70.


Rolling Stones, Led Zeppelin, Bee Gees, são algumas referências do rock. Quem pode ser considerado um dos mais importantes para a popularização da música? Os Beatles?


Acho que os Beatles foram os mais importantes de sua geração, não pela popularização da musica, mas por fazer, na época, o que ninguém ainda havia feito, adicionar muita coisa a música, em termos harmônicos, em arranjos arrojados e até literário, tudo com muito talento e sabedoria, essa é a diferença. Você pode ver em entrevistas de diversas bandas ou artistas do mundo todo que 80% cita os Beatles como uma das principais referências. Só isso já explica sua importância.


Como avalia o rock nacional?


Se você voltar um pouco na historia verá que o rock no Brasil começou na Jovem Guarda de Roberto e Erasmo, mas só teve seu respeito depois que o movimento Tropicalista endossou e nessa mesma fornada veio a maior banda brasileira de rock, os Mutantes, de onde saiu Rita Lee, e várias outras. Em meados dos anos 70 o rock no Brasil passou um pouco despercebido, com uma ou outra expressão, como Raul Seixas e a genial “Novos Baianos”. A garotada que ouviu tudo isso, e que estavam um pouco descontente com os rumos da MPB (com exceção aqui do clube de esquina de Minas que bebiam Beatles de todos os jeitos) resolveram botar cordas nas velhas guitarras e sair pra rua e assim trouxeram novamente o rock pras rádios.

E acho que hoje o que temos, das bandas que tocam em rádios e TV´s é um desdobramento disso, mas como citei acima, muita coisa ruim e principalmente descartável, é assim que o mercado se alimenta. Mas temos que prestar mais atenção no pessoal independente, alternativo, nos festivais fora do eixo, na musica instrumental, tudo isso eu continuo falando de rock, que tem muita coisa boa escondida por ai.


Até que ponto da para misturar o rock com outros estilos musicais?


Já se misturou tudo ao rock, é um estilo que permite isso, agora, como escrevi em uma coluna no site: www.trilhadorock.com.br, tem muita coisa legal dessas fusões e muita coisa ruim também, tudo depende do talento, da cultura e da formação de quem está misturando.


No Brasil o gênero tem passado por transformações que podem ser consideradas bruscas. O que acha disso?


O que acho brusco e ultrajante é ver essa chatice de música e músicos de estilos diversos, que eu prefiro nem denominar, pousando de rocker sem ao menos saber o que é isso. O rocker de fato tem estilo, tem pegada, tem cultura, tem conhecimento de tudo que se refere a rock, e conhece bem outros estilos musicais, como o blues e o Jazz, conhece literatura, cinema, etc. Transformação brusca é isso, precisamos acabar com a burrice musical.


Como vê o atual estágio do rock em Camaçari?


Camaçari é uma cidade que tem um grande público de rock, que conhece e comparecem a shows, bandas boas, mas isso precisa ser informado aos produtores da cidade e aos donos de espaço onde é possível acontecer eventos voltados para esse público, eles não sabem, ou não querem saber, talvez porque não gostem, não sei.


A banda Urublues


Quanto tempo tem a banda?


A banda foi formada em 2004.


Quantos componentes?


Atualmente seis: Carlos Ruiz - Guitarra; Alexandre - Guitarra; Reni - baixo; Neyve - bateria; Nildo – teclados; Dedeco – vocal.


Quais as referências musicais?


As principais são o chamado classic rock (anos 60 e 70) o blues e o rock nacional de 70 e 80.



O evento

As principais são o chamado classic rock (anos 60 e 70) o blues e o rock nacional de 70 e 80.


“A Day in the Life” é uma música dos Beatles, por que essa música, dentre tantas, foi escolhida para dar nome ao projeto?



Embora a gente não esteja usando mais esse nome, agora é: “Beatles – 50 anos”, porque achamos que comunica mais diretamente a ideia. Mas o nome antigo foi escolhido por, além de ser título de uma musica deles, expressa tanta coisa, expressa o que você quiser, “um dia na vida”.

 


Como será o evento dia 13 de julho? O projeto vai contar com artistas de outras vertentes musicais. Por que essa mistura?


Será uma homenagem a maior banda de todos os tempos, hoje eles já estão ao nível de qualquer compositor erudito, e por conta não só disso, mas de toda a influência que tiveram e ainda tem, nada mais justo que comemorar as bodas de ouro da banda. Teremos como convidados Bule-Bule que dispensa apresentações que vai fazer um repente genial em homenagem aos Beatles, Nadja Meirelles que é uma das maiores cantoras de Camaçari, Fernando Barreto, velho amigo e cantor da banda Mil Milhas, Paulinho Boca, que foi integrante dos Novos Baianos e Armandinho Macedo que pra mim é um dos maiores músicos do mundo. Apesar de temos artistas de outras vertentes que não seja o rock, todos gostam e apreciam a obra dos Beatles, e isso é muito legal porque cada um tem uma interpretação muito pessoal das musicas. Então por ai você pode perceber que será uma grande festa e eu quero que o público cante junto e saia com a alma lavada.


No evento, Beatles 50 anos, a banda Urublues vai ter acompanhamento da Orquestra Beatles de Camara, de Salvador, durante todo o show, com arranjos especialmente escritos para esse evento.


Qual a importância desse projeto tanto artisticamente quanto culturalmente?


Acho que a importância se dá também socialmente. Artisticamente porque você movimenta a cena gerando expectativa, mostrando um grande espetáculo, que é pouco visto por aqui. Culturalmente e socialmente porque é mostrado um estilo musical ou uma obra que pode incentivar principalmente os jovens a conhecer e pesquisar sobre o mesmo, mudando ou quebrando um pouco essa mesmice e até monopólio que se tem na cidade, na maioria dos lugares tocam somente um ou no máximo dois estilos musicais, acho que, para nós que estamos produzindo esse espetáculo, essa é a maior gratificação, mostrar ao jovem que há luz no fim do túnel e que a música não se resume a isso que as rádios em geral entopem nossos ouvidos. E claro estamos fazendo um espetáculo também pra quem conhece e aprecia os Beatles e que também não vê e nem ouve por ai. Esperamos todos lá e que a gente possa repetir essa dose em breve.


O evento


O quê? Beatles - 50 anos dos.
Quando? 13/07
Onde? Teatro Cidade do Saber
Que horas? 20h
Quanto? R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

  


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