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RAYMUNDO MÔNACO
Domingo, 02 de Outubro de 2011

Mônaco escreve: “CAMAÇARI 253 ANOS” ANIVERSARIO, HISTÓRIA E VIDA


CRÔNICAS DA CIDADE
2011.29– ANO II

J. R. MÔNACO
Bacharel em Direito, Consultor
Político, testemunha ocular da
historia



“CAMAÇARI 253 ANOS” ANIVERSARIO, HISTÓRIA E VIDA


Muito tem se historiado sobre Camaçari. Aliás, escritores não têm faltado, já que o tema a todos interessa, deleitando-se na diversidade cultural desse bravo município, onde de tudo se tem um pouco a cobrar e oferecer; passado de lutas, sacrifícios, dificuldades, trajetória que nos orgulha e nos engrandece.

Superficialmente, lembramos de 27 de setembro de 1758, data da elevação do célebre povoado à categoria de Vila, vindo a chamar-se Vila do Espírito Santo da Nova Abrantes que passando pelo topônimo de “Montenegro”, em 30 de março de 1938, conforme Decreto, emancipou-se vindo a ser o Município de Camaçari, constituído pelos Distritos de Camaçari/sede, Vila de Abrantes e Monte Gordo, depois (1953), incorporando Dias D’Ávila.

Os 253 anos agora festejados, se referem à Vila do Espírito Santo da Nova Abrantes, porque na verdade o município de Camaçari tem oficialmente 73 anos de instalado(Decreto Lei Estadual nº 10.724 de 30 de março de 1938).

A ânsia de voltar ao passado, às vezes nos confunde. A cada ano quase que religiosamente no período dos festejos do aniversario da cidade, começa a polemica discussão sobre os tópicos da histórica epopéia de Camaçari, principalmente sobre a data legitima do aniversário se 27 ou 28 de setembro.

Afora isso, é visível durante todo o ano a queda de interesse pela história e memória de Camaçari, o que não deixa de simbolizar o total descompromisso dos concidadãos com a cidade que a tantos tem acolhido.

A antes pacata cidade de veranistas, da folclórica chegada dos trens, das micaretas, festas juninas, onde moradores viviam como uma grande família, tornou-se com o advento da industria petroquímica outra cidade.

Mudaram as tradições, as belezas naturais foram se degradando como é o caso do desaparecimento do Rio Camaçari, onde a juventude se congraçava, praticava esportes, deliciando-se com saudáveis banhos de rio.

Camaçari com seus encantos naturais, áreas verdes paisagens, ar puro, chalés estilo colonial, arvores frutíferas, paz, amor e tranqüilidade. Os Rios Capivara, Capivarinha, Jacuipe, Pojuca e Joanes, simbolizando a própria natureza, belos e encantadores cenários onde a fauna e a flora dividem a sua exuberância.

Recordações do Grupo Escolar Gonçalo Muniz, escola mantida pelo Governo, responsável pela educação dos jovens de nossa época, onde contemporâneos tiveram a gloria de concluir o 5º ano do curso primário, sem se falar das festas dançantes, encontros políticos e reuniões sociais ali realizadas.

O CTO - Cine Teatro Oriente, fundado em 1950 de propriedade do árabe Camilo Abdon Kader, exibia filmes famosos e peças teatrais. O velho Mercado Municipal e os bate-papos da Barraca de Nininha.

Haveremos de nos lembrar dos terreiros de “Candomblés” de Geraldo e de Zelito Pai de Santo, cujos atabaques tocavam nos rituais sete noites e sete dias . Candomblé da inesquecível Mãe Eulina. A Padaria de Quirino, a primeira de Camaçari, antes o pão vinha de Salvador no Trem Pirulito.

A famosa Fazenda São João, onde foi instalado o desativado Parque do SESI/SENAI e a Olhos D’Água desapropriada pelo Governo do Estado que deram lugar ao COPEC e CEPED órgãos administrativos suportes na implantação do Polo Petroquímico.

O nosso comércio era pequeno com pouquíssimas casas comerciais, o abastecimento era feito buscando suprimentos em Salvador. Tínhamos à época (1960) o SAPS – Serviço de Alimentação da Previdência Social, espécie de Cesta do Povo que vendia alimentos bem mais barato e de boa qualidade aos pobres cadastrados.

A cidade pequena deveras recomendada como lugar de descanso. Tínhamos a Pensão de Tetê, ( relax do Governador Mangabeira).Tempos depois, veio o Repouso Marina, o Hotel Bela Vista de D. Lourdes de Galdino, a Pensão do Sr. Maneca e o Hotel Rex, pousadas simples, mas, que o hospede se sentia em casa. Quantas histórias pra se contar!

Com a vinda da Empresa de ônibus Nossa Sra. Das Candeias, fazendo a linha Camaçari – Salvador, foi construída a primeira estação rodoviária, localizada na Praça Abrantes. Tinha apenas um bar, um sanitário e o guichê de vendas de passagens, consolidou-se como a grande obra do Prefeito Zequinha Evaristo (1965).

Cortar cabelo na Barbearia Planeta do saudoso Osvaldo Barbeiro era uma das coisas mais distraídas do nosso tempo. Contava anedotas, cantava, discutia assuntos que podia não conhecer, porém, só ele falava e tinha razão.

Alfaiatarias de Crispim e Zózimo, onde muitos jovens aprenderam a profissão de alfaiate e por não encontrarem campo de trabalho, daqui foram embora , alguns nunca mais voltaram.

A Escola Normal de Camaçari, implantada pela Professora Wasty, façanha à época inigualável, tornou-se um sucesso quando formou a primeira turma cujas solenidades foram na nova Igreja Matriz, recém construída pelos fiéis.

O Ginásio São Thomaz de Cantuaria era para nós motivo de orgulho. Nunca esqueceremos a Páscoa religiosa do Cantuaria. O Padre José Astrogildo de Mata de São João, celebrava a Missa e dava comunhão a todos os alunos católicos, logo após era servido um reforçado café.

Ir às praias de Camaçari, ato de bravura. Estradas de difícil acesso. O jeito era ir a pé, atalhando caminhos por lagoas e mato a fora. Mais fácil pegar o trem e tomar o desejado banho de mar em Salvador.

Saudades de alguns amigos que se foram. Uns para a eternidade outros sumiram por completo e nunca mais deram notícias. A cidade continuou crescendo, progredindo, as transformações vieram naturalmente e a cada aniversario, os que acompanharam o seu progresso sentem que Camaçari não é mais aquela de dantes.

São tantas as reminiscências que jamais completarão o nosso desejo de falar tudo o que desejamos e conhecemos sobre a nossa querida cidade. Esperamos que o dever de colaborarmos com a nossa cultura, propiciem aos futuros historiadores a condensação de dados ainda desconhecidos e que poderão acrescentar outros fatos ao contexto.

Nos seus 253 ou 73 anos, como queiram, eternamente, teríamos ainda muito o que falar sobre Camaçari, terra cheia de encantos, belíssimas praias, gente boa e hospitaleira.

Neste momento festivo, a nossa preocupação maior é com o desenvolvimento e ações voltadas para o bem estar e uma vida melhor da população, o grande presente de aniversario que daremos a Camaçari.

Um grande abraço e um feliz aniversário pra nossa cidade!

J. R. Mônaco
jrsmonaco@hotmail.com





  


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